4.4.06

VIP? - Parte 2

Engraçado, mas hoje me aconteceu o fato que relatei no post abaixo e, lendo o Blog do Jamari França, nO Globo.com e vi um texto bem legal, falando exatamente sobre o que comentei!

Sensacional! Eu ia até editar o post e citar algumas partes, mas achei que era melhor, citar na íntegra, então, lá vai!

"Todo mundo quer ser VIP no Rio de Janeiro

Julia Ryff é assessora de imprensa do Circo Voador. Além de administrar as relações com os jornalistas, ela é assolada por pedidos de convites para os shows. Ela conversou comigo várias vezes que pessoas que nada tinham a ver com coisa alguma, se achavam no direito de entrar de graça. Daí lhe pedi um post sobre o assunto. Fala Julia:

Alguma coisa estranha está acontecendo no Rio de Janeiro. Ou sempre foi assim e só agora percebi. O fato é que, talvez pela sanha em ser alguém especial, (um VIP!!) ou simplesmente falta de din din no bolso, o povo está descontrolado e não quer pagar para entrar em lugar nenhum! O mais estranho disso tudo é perceber o invisível e não-pronunciado código de conduta nos relacionamentos sociais estabelecido entre os cariocas com o passar dos anos. Ser importante é não pagar entrada, seja num show de rock ou num festival de música. Se você é um produtor que deu duro pra conseguir botar de pé seu show, ralou muito pra arranjar um patrocínio que ajudasse nos custos, convenceu as bandas a tocar dividindo lucros, está dependendo da bilheteria pra pagar os funcionários e as contas, mas é meu amigo de verdade, vai me dar um convite.

Acho que uma boa comparação, embora um pouco distante, é pensar nas mulheres retratadas de antigamente. Eram todas gordas, porque status era ter o que comer. E se você é gorda, é porque é rica, bonita e bem nascida. Hoje em dia, a história é outra. Se você é uma pessoa rica, bonita e bem nascida de verdade, então você é um convidado vip, sempre, e não paga nada, nunca! Mesmo que seu amigo produtor se foda por causa disso.

Cariocas, (só para esclarecer: falo dos cariocas porque moro aqui e pouco me importa se em São Paulo ou Nova Iorque é assim também!) são capazes de traquejos sociais difíceis de compreender. Ligar e ter a cara de pau de convidar a si mesmo para a SUA festa, ok, mas não fira o código invisível, nunca diga que não tem mais entradas, ou que a lista de convidados já ultrapassou o número do bom senso. Isso é ofensa pessoal!! Negar um convite vai te colocar na lista negra de pessoas desagradáveis que precisam ser evitadas. Pois cariocas estão preparados para pedir, mesmo que não te liguem nunca, não te encontrem há anos, nem te conheçam direito, mas não estão preparados para ouvir um “não” como resposta e ficar bem com isso.

Trabalho lá no Circo Voador. E só porque faço parte do quadro de funcionários, pessoas acham que tenho o poder supremo de “colocar pra dentro”. Outro dia chegou uma loira platinada e eu estava na lista. O nome dela não constava, não dei o convite. No dia seguinte ela escreveu no blog dela que eu era “incompetente e sem noção”. Meu Deus, o que foi que perdi?! Será que ela é a Rainha da Cocada Preta e eu não sabia?? Puxa, as Rainhas da Cocada não podem ficar de fora, o que seria das festas sem elas... E que tal, pagar? Também outro dia conversava com uma amiga na porta de sua loja de sapatos. Papo vai, papo vem, de repente ela empinou o nariz, estufou o peito, fez cara de solene e cheguei a pensar que cantaria o hino nacional, mas com dedo em riste, bradou orgulhosa: “Meu namorado nunca pagou para entrar em lugar nenhum!!” Oras, eu compro sapatos na loja dela há anos e nunca ganhei sequer um desconto. Festas, shows, festivais, são produtos como outro qualquer, como sapatos. Ou por acaso entra alguém na loja, põe sapatos debaixo do braço e sai dizendo, olha só, querida, sou vip, tá?!

Não sei de onde vem a impressão que entretenimento é de graça. As pessoas esquecem que para que estejam ali se divertindo, outras têm que trabalhar para isso acontecer. Se os músicos da sua banda preferida estão em cima do palco, existe uma infinidade de técnicos, roadies, motoristas, secretárias, assessores, empresários, faxineiros, seguranças, pessoal de bar, de bilheteria, produtores, estagiários, boys, cozinheiros, todos trabalhando, com filhos pra criar e contas a pagar, que movem a máquina, que fazem acontecer e dependem da bilheteria. Se todo mundo resolver ser vip - aliás, que palavrinha odiosa - , se todo mundo resolver que não vai pagar, acabou-se o que era doce. E não adianta vir com a desculpa que é “do meio”. Se é do meio, aí mesmo é que conhece as dificuldades e sabe como é duro trabalhar com entretenimento hoje em dia. Ainda mais se você não tem uma grande empresa patrocinando, injetando dinheiro, cobrindo despesas, pagando salários e bancando camisas para globais na área vip.
"

Ao som de I´m Ready, com Muddy Watters.

3 comentários:

Luciana disse...

Oi Dantas,
É...
No Grande encontro da Blitzmania (rs), a gente paga o ingresso no canecão, né? kkk! Mas me senti muito vip no Show da MTV do Ultraje! rs!
Um abraço

Edna Prigol disse...

Vip pra mim não é entrar sem pagar, vip é poder assistir a passagem de som da sua banda preferida, vip é quando o vocalista sabe seu nome e fala seu nome no palco, mas vip mesmo, assim vvvip (muito, muito, muito), é quando o vocalista te chama pra subir no palco e tocar o primeiro sucesso da banda com a guitarra do mestre, isto sim é vip, o resto é resto!

Beijão Dantas!

Ariett disse...

Onde fica o espaço embaixo desse texto em que eu posso assinar? Concordo com tudo!